|
JPAGE_CURRENT_OF_TOTAL José Carreiro Presidente do Centro Social Lucinda Anino dos Santos
Já se pode dizer que José Carreiro faz parte da história do Centro Social Lucinda Anino dos Santos. Com vinte e cinco anos como Presidente da instituição, vão-se perdendo já na memória os presidentes que o antecederam e que, também, deram a sua mão para o avanço deste Centro de Assistência Social. E se a isto juntarmos o facto das grandes transformações, no que à assistência social diz respeito, se terem operado nestes vinte e cinco anos, então, se recuarmos aos tempos em que José Carreiro não estava à frente da instituição, praticamente não o reconheceríamos nem encontraríamos as actividades que, hoje, a definem e lhe conferem alma. Desse primeiro lar para acolher crianças desprovidas de meio familiar, nasceram jardins de infância, actividades de tempos livres, centro comunitários para jovens e seniores e, ainda, a Casa de Santo Amaro para prestar assistência a pessoas com deficiência.
À medida que as actividades se vão implantando, a instituição sente necessidade de receber uma nova estruturação. E, por vezes, a organização que é necessário implementar não se coaduna com casos especiais que é preciso encarar de forma bem específica. E este doseamento entre a organização e a atenção aos casos pontuais, nem sempre é possível de fazer. E, por isso, surgem problemas como o que se veio a verificar na Casa de Santo Amaro com uma situação que se arrastou mais do que o tempo devido. Outras se lhe juntaram até esse posicionamento final que culminou com uma transferência decretada por decisão judicial. Estes tempos conturbados que se apoderaram da Casa de Santo Amaro, parece terem desaparecido. E, para isso, deve ter contribuído a dotação daquele estabelecimento de um corpo técnico avalizado para o efeito. É o que nos deixa transparecer José Carreiro ao falar na forma como está a encarar esta casa que dá assistência a pessoas com deficiência. Outros dos pontos a destacar desta conversa informal têm a ver com a possível alienação do lar do Rossio de São João, a casa mãe da instituição. Já com mandato da assembleia geral, a direcção está a estudar o problema e, concretamente, as vantagens para que uma instituição como esta se possa melhor adaptar aos tempos presentes. É que a construção de um novo lar proporcionaria melhor adaptação às exigências dos dias de hoje e com a respectiva operação poder-se-ia obter dividendos a utilizar em outros equipamentos. Mas, para isso, será necessário, primeiro, saber a capacidade de construção, a receptividade da Câmara para esta operação e evitar que, conforme pretendem os descendentes do arquitecto do edifício do lar, que este se venha a classificar como edifício de interesse municipal. Por entre estes e outros assuntos que fazem parte da vida da instituição, se fez uma conversa que, naturalmente, acabaria por abordar a tendência da municipalização da rede social e as consequências que poderia ter para uma instituição como esta. Também, a talhe de foice, a política local acabou por se aflorar bem como as relações que, inevitavelmente, acabam por ter em toda a actividade social. Com o à vontade dos seus vinte e cinco anos de Presidente, José Carreiro tudo foi abordando com a maior naturalidade, e com a consciência de que também é necessário dar a conhecer a actividade do CASLAS à própria comunidade. E esta entrevista serve esse fim. Por isso e por outras revelações que deixa transparecer, é um convite a todos para a ler.
CORREIO DE LAGOS - Há quantos anos é que já se encontra à frente do Centro Social Lucinda Anino dos Santos? JOSÉ CARREIRO – Como Presidente deste Centro Social levo já vinte e cinco anos. C. de L. - Poder-se-á dizer que já se confunde com a própria instituição. J. C. - Com mais algum tempo em cima, até já poderei dizer que começo a fazer parte do próprio mobiliário da casa. C. de L. - Quais foram as principais transformações operadas ao longo de um consulado tão longo como o é o que leva à frente desta instituição? J. C. - Ao longo destes vinte e cinco anos, o Centro Social Lucinda Anino dos Santos foi-se modificando muito em relação àquilo que era quando cá cheguei. Em termos de instalações e da actividade que desenvolve, tudo se resumia a este edifício do Rossio de São João e à sua creche Jardim de Infância. Presentemente, já dispomos de mais cinco edifícios ligados a crianças como sejam os Jardins de Infância de São João, de Santo Amaro, da Luz, de Bensafrim e do Chinicato. Contamos ainda com um Centro Juvenil e com um Lar de Deficientes Motores instalado na casa de Santo Amaro. Embora a Casa de Santo Amaro seja uma entidade distinta, é dirigida por nós através de um protocolo que assinamos. Mas, neste momento, está a decorrer o processo de integração da Casa de Santo Amaro na Anino dos Santos. Além destes equipamentos, dispomos ainda de mais dois centros comunitários. Um no Chinicato e outro na Meia Praia. C. de L.- Que trabalho específico é desenvolvido nesses centros comunitários? J. C. - O trabalho desenvolvido nos centros comunitários procura apoiar e integrar as famílias nos seus respectivos bairros e motivá-las para a vivência social que é necessário desenvolver.
|